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    A prática do aborto no Japão.

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    Mishima
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    A prática do aborto no Japão.

    Mensagem  Mishima em Qui Ago 06, 2009 9:27 am

    No Japão existe aborto a pedido há mais de 35 anos. Seria de supor que todas as crianças fossem desejadas e bem tratadas. Contudo, "o numero de infanticídios tem aumentado tanto que as assistentes sociais tiveram que fazer um apelo às mães japonesas, na televisão e nos jornais, para que não matassem os seus filhos."
    (The Sunday Times, June 23, 1974)


    Para se ter uma idéia do que foi a extensão da prática do aborto no Japão, mais do que das estatísticas, podemos nos servir do relato de uma visita de um médico americano especialista em abortos a seus colegas japoneses. O Dr. Selig Neubardt, professor de Ginecologia e Obstetrícia em uma Universidade particular de Nova York, fervoroso propagandista e praticante do aborto legal, realizou esta visita no final de 1970.
    "O aborto voluntário é legal no Japão há cerca de 25 anos", escrevia o professor Neubardt logo após retornar de sua visita à nação asiática. "Durante este tempo a experiência induziu os japoneses a abandonar algumas técnicas e a melhorar outras. Na atualidade o enfoque do aborto é bastante uniforme em todo o país. Suas técnicas são rápidas e eficazes. Em outubro de 1970 viajei três semanas pelo Japão para estudar como encaram o aborto e comentar suas experiências com eles.
    Minha única reação negativa diante da ginecologia japonesa foi a utilização da anticoncepção. Os ginecologistas não a consideram parte de sua especialidade. Não tentavam orientar as pacientes neste sentido nem realizam nenhum esforço para prescrever anticoncepcionais. O problema se ignora por completo.
    Vi uma mulher que se internou em um excelente hospital de Tóquio para seu quinto aborto em menos de cinco anos. Receberam-na como uma velha amiga, praticaram-lhe o aborto com a máxima perícia e horas depois deram-lhe alta com uma reverência cheia de cortesia e com muitas manifestações de boa sorte. Não se mencionou em nenhum momento a possibilidade de uma prevenção para o sexto episódio. Quando comentei esta circunstância com o médico, este respondeu com um sorriso amigável que aquela mulher era solteira e que, segundo parecia, algum de seus amigos não apreciava o uso de preservativos. Não mencionou nenhuma outra técnica.
    Os médicos japoneses rejeitam a anticoncepção oral por uma ampla gama de razões, nenhuma delas, porém, válida. O governo e as sociedades médicas se pronunciam contra o uso de anticonceptivos orais. Disseram-me que produzem terríveis efeitos colaterais nas mulheres que os usam. Vários médicos opinaram que o uso dos anticonceptivos orais causaria câncer endometrial. Embora não pudessem citar nenhum estudo em apoio desta objeção, mencionaram isto como um fato concreto e em um tom de voz direcionado a por um fim à discussão.
    Nos grandes hospitais que visitei, os médicos falavam com entusiasmo do anel de Ota, o dispositivo intra uterino japonês que se encontra nas farmácias de todos os hospitais, embora eu nunca tivesse encontrado uma clínica de pacientes externos com um destes anéis estéreis pronto para ser colocado e nunca conheci nenhum ginecologista que tivesse introduzido em alguma paciente um só destes anéis durante o mês anterior. Quanto às espumas de Delfen e EMKO sequer há notícias delas entre os médicos japoneses. O Neo-Shampoon, um tablete de espuma vaginal que apresenta mais ou menos a mesma eficiência que nossas espumas e é muito fácil de usar, pode ser encontrado nas farmácias japonesas, mas os médicos não a recomendam porque, dizem eles, `não é cem por cento eficaz'.
    O preservativo é de longe o anticonceptivo que mais se usa no Japão. A maioria dos médicos evitam a gravidez de suas esposas através do preservativo, mas supõem que os maridos de suas pacientes tenham que fazer o mesmo.
    Foi apenas durante a minha última noite no Japão, depois de uma boa ceia e de muitas garrafinhas de saki com um jovem médico que muito me havia ajudado, que vim a descobrir que a atitude japonesa diante da anticoncepção poderia ter um motivo:
    `Todos os médicos com que o Sr. falou pareceram que se interessavam muito e lhe faziam várias perguntas quando o Sr. lhes falava a respeito de anticoncepção', me disse este médico, `porém gostaria de preveni- lo para que não se engane a este respeito. Eles nunca aceitarão nada que o Sr. lhes diga sobre anticoncepção. Nossos médicos não querem evitar a gravidez. É o governo que controla a maioria de nossos honorários, e é o aborto que nos deixa algum certo lucro, e nós não vamos renunciar a isto'.

    De fato, pude observar que a maioria dos ginecologistas começam o dia com um certo número de abortos e, se bem que sejam baratos em comparação com os Estados Unidos, -custam uns cinco dólares completos- , proporcionam uma fonte de renda boa e constante.
    No Japão as gestações precoces, de 8 a 10 semanas, são interrompidas por dilatação e curetagem. Isto é feito com as pacientes internadas. A mulher é admitida de manhã, procede-se à curetagem e dá-se-lhe alta ao anoitecer. Os abortos tardios hoje são raros no Japão, embora fossem comuns nos primeiros anos da legalização do aborto. Quando terminou a segunda guerra mundial, época em que se legalizou o aborto no Japão, a maioria das mulheres vinham para abortar no segundo trimestre da gravidez. Na atualidade as mulheres japonesas estão acostumadas a abortar e, em geral, vem pedir a interrupção da gravidez entre 8 e 10 semanas. Ocasionalmente os médicos japoneses se deparam com alguma mulher que mudou de parecer e decidiu abortar durante a metade do segundo trimestre, geralmente por problemas conjugais, algum problema financeiro súbito ou devido à morte do marido. Os únicos casos de aborto no segundo trimestre que vi ocorreram em Tókio e todos eram de mulheres norte americanas. Ainda que a quantidade de casos tenha diminuído muito desde que o Estado de Nova York liberalizou a sua legislação referente ao aborto em 1970, vi mulheres cujos médicos as haviam enviado até Tókio provenientes da Flórida, do Missouri e do Vermont, assim como do Vietnam".

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