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    Decasséguis voltam perdidos ao Brasil e buscam ajuda psicológica e financeira

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    Mishima
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    Decasséguis voltam perdidos ao Brasil e buscam ajuda psicológica e financeira

    Mensagem  Mishima em Seg Nov 23, 2009 4:58 pm

    Ficou para trás a jornada dupla, a linha de montagem, o frio cortante na rua limpa, o apartamento apertado, a rotina de produtividade sob o olhar do supervisor japonês e o choro no telefone público quando ligava para a casa. Mas o drama só começa para quem retornou para o Brasil.



    Cerca de 20% dos 317 mil brasileiros que viviam no Japão em 2008 voltaram desde que a crise econômica despontou nos EUA e atingiu em cheio a indústria japonesa, cujas exportações caíram na mesma porcentagem. "Quando foi dezembro último, ninguém na minha família tinha mais emprego. Lá, eu cheguei a dormir embaixo de ponte e em banco de estação de trem", conta Masaaki Masuda, 64.

    Ele era instalador de cabos da Telesp quando há 20 anos decidiu tentar a sorte na terra de seus pais. Trabalhou por duas décadas em fábrica de autopeças e em bentô ya (loja de marmitas). Desde junho em São Paulo, sonha com um emprego de caseiro, para ter um teto para trazer a mulher e filha, que vem da Ásia em dezembro.




    Uma profissão lá e outra aqui. Uma classe social lá e outra aqui. Por isso, é impossível definir no GC (gerador de caracteres) do vídeo acima o ofício de cada um, praxe para identificar as pessoas em reportagens em vídeo. É difícil até para eles mesmos lidar com a identidade - descobriram quanto são brasileiros ao estar entre japoneses, voltam ao Brasil e continuam a serem chamados de "japa", "japs" ou "japoronga".

    "Estou morando em casa de parentes, mas não quero mais atrapalhar." Seu Masaaki é um entre os mais de 10 mil compatriotas que aceitaram a oferta de US$ 3.000 que o governo de Tóquio deu para cada brasileiro ou peruano que voluntariamente deixasse o país, não podendo voltar no prazo de três anos. Ele voltou com uns poucos trocados, como a maioria dos atuais decasséguis brasileiros - o termo japonês junta o verbo deru (sair) com kasegu (para trabalhar) para denominar o migrante.

    Para quem juntou umas economias, o regresso guarda também suas apreensões. O real e o mercado imobiliário valorizados não facilitam aquisições. E abrir um negócio pode virar um campo minado. Há quem volte achando que comprar linhas telefônicas é um investimento, como era nos anos 80. Há o que se arrisca em um ramo que nunca trabalhou. Há quem compre empresas falidas.

    "Um das coisas mais escabrosas que eu vi na vida partiram de parentes de decasséguis que vendem negócios quebrados para os recém-chegados", conta Renato Botuem, que já trabalhou no Japão e hoje é palestrante para os novatos sob o rótulo de "ex-decasségui".

    Dentro da comunidade japonesa no Brasil, várias associações dão orientação para os retornados. São palestras de educação financeira, empreendedorismo, reinserção profissional e auto-ajuda. Ex-migrantes contam histórias de sucesso. Consultores dão dicas de investimento. Psicólogos dão ânimo para a nova empreitada. Eventualmente até algum dos recém-chegados é encaminhado para uma vaga.

    A queixa recorrente é que falta uma coordenação do governo brasileiro, que se beneficiou com a injeção de capital das remessas - em anos anteriores chegou a render, via principalmente envios pelo estatal Banco do Brasil, mais que as exportações de café do país. Por seu lado, o Ministério do Trabalho afirma que precisa definir como atuará junto às sociedades de beneficência dentro da comunidade, para depois garantir recursos para a qualificação e inserção no mercado.

    Um dos palestrantes no prédio do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro paulistano da Liberdade, é Katsugi Kayashima, 42. Ao microfone, ele deu seu exemplo de vida e superação, mas sabe que cada um tem uma diferente. "Eu tentei vários negócios com as economias que trouxe, mas o que deu certo foi uma rotisseria. Mas a gente escuta mais histórias de fracassos que de sucessos."

    Outro orador prefere enxergar o lado positivo. "É muito mais fácil para a gente se readaptar ao Brasil do que foi entrar na sociedade japonesa", compara Edwin Hasegawa. Em entrevista, ele adota um tom menos incentivador: "Tenho muitos parentes que não sabem o que fazer. Estão com problemas psicológicos." Edwin ficou apenas dois anos no Japão, pagou curso na Austrália e a maior dificuldade no regresso foi entender os amigos. "Você volta e não sabe as gírias, as brincadeiras, as referências a programas de TV. Tem que ficar perguntando toda hora."

    A triste coincidência é que 2008, ano do centenário da migração nipônica ao Brasil (cerca de 200 mil), deu início a uma nova leva vinda do Oriente. "Eu voltei para o meu país sem ter a mínima idéia como vai ser o resto da minha vida", afirma Thiago Haruo Santos, com 22 anos de vida e 10 anos de Japão.

    Ainda criança, foi levado para lá pelos pais, que agora decidiram enviar o garoto primeiro. "Aqui é um mundo totalmente diferente. Para o japonês, até uma conversa é um ritual", resume a sensação de se sentir estranho em sua própria casa, como um estado de suspensão entre a vida que deixou e a que abraça.

    Já Soraya Cazella migrou sozinha e estranhou quando voltou para a casa da família. "Depois de ter uma vida independente, é difícil voltar para as casas dos pais", opina a garota de 25 anos que viveu cinco deles trabalhando em fábricas e bares do arquipélago. Ela conta que vários amigos da região do ABC, onde cresceu, tentaram a vida no Japão e não conseguiram. "Muitos voltaram em poucos meses. Além de desempregados, estavam no Brasil devendo o dinheiro da viagem", conta a neta de migrantes de Okinawa que tem um semblante que pouco lembra uma mestiça.

    Motor desses mais de 20 anos do movimento decasségui brasileiro, as empreiteiras são agências de empregos que intermedeiam as vagas na Ásia, garantindo a passagem aérea e o seguro-saúde. Isso soma U$ 5.000, a serem pagos com os primeiros salários em ienes. Muitas vezes o brasileiro, apesar de estar trabalhando em fábricas como Mitsubishi, Nissan ou Toyota, tem seu registro de trabalho como empregado da empreiteira.

    O trabalho brasileiro no Japão é classificado pela sigla KKK: kitsui (pesado), kitanai (sujo) e kiken (perigoso). Mas a palavra mais comum na boca deles é zanguio (hora-extra). Cerca de 60 mil já debandaram - antes a maior retração aconteceu em 1998, com a volta de 11 mil em meio à crise asiática. São vidas que vão ao sabor das turbulências econômicas - do lado brasileiro teve a hiperinflação do governo Sarney, o plano Collor e a desvalorização do real em 1999.

    Os estrangeiros do Japão são os primeiros na linha de corte na indústria automotiva e eletrônica. Atualmente, dos brasileiros que ficaram no Japão, muitos estão vivendo do seguro-desemprego ou procurando atividades com menor remuneração, desde agricultura (onde ganham um terço do que embolsavam na indústria) até catar entulho, cortar árvore ou cuidar de crianças ou idosos. Todos à espera de uma reação da economia local. E não muito esperançosos com as notícias dadas por quem voltou recentemente.

    "É fácil ver as pessoas fazendo cursos de empreendedorismo e, mesmo assim, metendo os pés pelas mãos", define Soraya, que estuda educação física e quer ser bailarina.

    Renato concorda. "Montar empresa não é nenhuma novela das oito. As pessoas acham que vão lucrar rápido e passar o fim de semana na praia", sentencia o consultor. Mesmo assim, o palestrante prevê bons tempos. "Vocês ficam pensam que o Brasil é um paisinho, que não presta. Mas o Brasil deixou de ser o país do futuro: é o país do presente", discursa para a platéia de retornados.

    Ele critica os que vislumbram no futuro mais idas e voltas no voo de 24 horas para Japão. "O Japão virou uma rede de proteção muito confortável: qualquer probleminha no Brasil, voltam para lá. Quem não cria raiz não cresce", dispara. E aconselha: nada de precipitação, muito foco, sem desanimar, com planejamento, retomar os estudos, não ouvir os palpiteiros. Só faltou pedir: paciência, o chavão oriental.



    Dicas para obter emprego
    1) Reestruture seu currículo, enfatize sua experiência internacional e iniciativa
    2) Atualize-se, acompanhando o noticiário e fazendo cursos
    3) Descanse do stress japonês e planeje bem sua volta ao mercado
    4) Não pense em começar por baixo imaginando uma ascensão rápida, procure de cara postos intermediários ou superiores
    5) Não fale que foi "peão" no Japão. Ressalte a disciplina, a responsabilidade, a capacidade de adaptação e o jogo de cintura que teve no mercado asiático


    Dicas para abrir empresa
    1) Conheça o ramo, seja empregado antes, mesmo que precise trabalhar de graça nele para espionar como funciona
    2) Não dê ouvidos aos palpites de familiares e amigos, principalmente de quem quer empurrar um negócio
    3) Não se deixar levar pelas promessas de lucro fácil
    4) Calcule três anos para o negócio começar a render
    5) Conheça o mercado. Procure uma necessidade em determinada região e monte seu negócio lá
    6) Não copie comércio de sucesso em um mesmo local. Cada história é diferente



    http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/11/23/ult1859u1883.jhtm


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    Você pode fazer muito mal a si mesmo sendo ignorante.
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    C$S

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    Re: Decasséguis voltam perdidos ao Brasil e buscam ajuda psicológica e financeira

    Mensagem  C$S em Seg Nov 23, 2009 5:25 pm

    é , o bixo ta pegando tanto lá como aki .. realmente mto triste isso
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    ஐ✩ þåvê ✩ஐ

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    Re: Decasséguis voltam perdidos ao Brasil e buscam ajuda psicológica e financeira

    Mensagem  ஐ✩ þåvê ✩ஐ em Ter Nov 24, 2009 11:01 am

    C$S escreveu:é , o bixo ta pegando tanto lá como aki .. realmente mto triste isso


    Eu que o diga! Crying or Very sad

    O negocio e não se deixar abater e seguir em frente com a cabeça erguida e de olho nas oportunidades.
    Falando nisso consegui um arubaito para o mês de dezembro. cheers
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    C$S

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    Re: Decasséguis voltam perdidos ao Brasil e buscam ajuda psicológica e financeira

    Mensagem  C$S em Qua Nov 25, 2009 7:48 pm

    omedetou !! cheers

    vi nao lembro onde , que 20% dos 320mil brazukas já voltaram ao BR .. entao ainda tem 250mil aqui

    kentanmilgus

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    Re: Decasséguis voltam perdidos ao Brasil e buscam ajuda psicológica e financeira

    Mensagem  kentanmilgus em Qua Jul 14, 2010 9:17 pm

    Gostaria de saber mais informações deste Sr. Masaaki Masuda, pois hoje 14/07/2010, encontrei um senhor com o mesmo nome, mesma idade e com uma historia semelhante, na estação Santa Cruz do metro de São Paulo, ele estava a procura do filho Yoshio Masuda, ele havia perdido todos os documentos e o telefone e endereço do filho, portando apenas o RG, com nascimento em Bastos, ele queria informações de algum local para auxilio a nikkeys para voltar a Marilia, onde diz estar trabalhando como caseiro, mas queria ir até São José do Rio Preto, onde estavam a filha e a esposa, acompanheio até a estação Barra Funda e comprei-lhe uma passagem até São José do Rio Preto, ele já deve ter embarcado, pois o horário da partida eram as 12:00 pela Cometa, até agora estou intrigado para saber se ele está perdido e a familia está a procura dele ou se a historia dele procede...

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    Re: Decasséguis voltam perdidos ao Brasil e buscam ajuda psicológica e financeira

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